Surtei! O dia em que dei complemento

Quarta feira, dia 06 de maio de 2015. O dia em que surtei, achei que não tinha leite, achei que meu filho morria de fome, achei, achei, achei…

Vamos desde o início: o Pedro vinha, há uma semana, mamando de maneira muito agitada, dava a mama e ele mamava 4 minutos, e ficava impaciente… assim eu colocava pra arrotar, ele arrotava e queria mais, colocava na mesma mama e ele ficava sugando e saindo, todo irritado… Aí eu dava a outra mama e a história acima se repetia.

Vim levando assim, até que um dia a noite senti que minhas mamas não estava tão cheias, ele repetia o episódio mas ficou bem mais irritado, foi aí que tentei tirar com a bomba de extração e adivinhem: não saiu nada! Entrei em pânico, surtei, e a meia noite fiz meu marido ir comprar o complemento. Fiquei em prantos. Como assim eu não era capaz de produzir leite suficiente pro meu filho? Logo eu que no começo tinha tanto leite, mais tanto leite, que o Pedro pra não engasgar precisava mamar praticamente sentado e mesmo assim era engasgo atrás de engasgo…

Meu marido chegou, preparei 90ml de complemento, coloquei na mamadeira, fui dar pro Pedro e… bem, ele não conseguia pegar o bico, quando o leite ia pra boca ele jogava pra fora e ria, isso mesmo, ele RIA! Ria da cara de boba da mãe dele, do meu pânico, de toda aquela situação… Se não fosse o meu pânico teria filmado… Ele mamou no máximo 15ml mas desse jeito, jogando pra fora. Entrei em parafuso: ele tinha ou não tinha fome?

No dia seguinte, pesquisando (ah, a era da informação!) achei um artigo que falava sobre a crise dos 3 meses. E eu faço questão de colocar praticamente na íntegra porque, apesar da bebê citada ser uma menina, descreveu completamente o que eu passei.

crise-3-meses

Traduzido este trecho de um livro maravilhoso, My Child Won’t Eat, do pediatra Carlos González, para o Grupo Virtual de Amamentação e gostaria de compartilhar com vocês. Se toda mãe soubesse disso, muito complemento seria evitado. 

Por volta dos dois ou três meses, dizíamos, os bebês já adquiriram tanta prática que podem mamar em apenas cinco ou sete minutos, alguns até em três. Caso ninguém tenha avisado à mãe que isso iria acontecer, se a tiverem enganado com os dez minutos, ela vai pensar que o seu filho não comeu o suficiente, tal como pensou:

“Tenho uma menina de quatro meses. O meu problema é que não sei se come o suficiente, visto que está apenas três a quatro minutos em cada peito, e tenho medo que seja porque não recebe leite suficiente. Quando tinha dois meses mamava uns dez minutos de um peito mais cinco do outro, e aumentava  de peso rapidamente; enquanto que agora desceu um pouco nas sua curva de crescimento. Agora noto que os meus peitos não estão tão cheios como antes, que até pingavam. O que me deixa preocupada é que nos primeiros minutos ela mama com força e rápido, e depois começa a pegar e largar o peito, não estando sossegada. Tenho de ir alternando as mamas e experimentar posições diferentes para que esteja uns dez minutos entre ambos. Pergunto se o faz porque quer mais ou não. Outra situação é que me parece e agora aguenta menos tempo de uma mamada para outra, especialmente à noite, que dormia cinco a seis horas seguidas e agora três ou quatro no máximo.O pediatra dela disse-me que eu posso começar dar-lhe leite artificial, mas eu tentei e não aceita, mesmo que seja outra pessoa a dar.”

Esta mãe explica perfeitamente todos os aspectos da “crise dos três meses”:
1. O bebê que antes mamava em dez minutos ou mais, agora acaba em cinco ou menos;
2. O peito, que antes estava cheio agora parece mais vazio;
3. O leite que pingava, já não pinga;
4. O aumento de peso está cada vez mais lento.

Tudo isso é perfeitamente normal. O inchaço do peito nas primeiras semanas tem pouco a ver com a quantidade de leite, é mais uma inflamação passageira quando as mamas começam a trabalhar. O inchaço e o “vazar” são “problemas de adaptação” e desaparecem quando a amamentação está comodamente estabelecida. E o aumento de peso é cada vez mais lento, é claro. Os bebês engordam cada mês um pouco menos que no mês anterior. Por isso é que as curvas de peso são curvas, senão seriam retas. Entre um mês e dois meses, as meninas que são amamentadas tendem a ganhar pouco mais de 400 gramas a 1.300 kg com uma média de pouco mais de 860 g passamos por alto o primeiro mês, porque ao haver uma perda e logo uma recuperação de peso, os números são muito variáveis.Se continuassem a aumentar ao mesmo ritmo, em um ano teriam entre 5 kg e mais de 15 kg, com uma média de 10 kg e pouco. De fato, no primeiro ano, as meninas ganham entre 4,5 kg e 6,5 kg, com uma média de 5,5kg. Ou seja, mesmo uma menina que ganhou no primeiro mês 500 g (o que para muitos pode parecer pouco, quando na realidade é normal) chegará a um momento que ainda vai ganhar menos. Os meninos tendem a ser um pouco maiores que as meninas.

Claro que o bebê não queria mamadeiras: não tinha fome. Infelizmente nem todos os bebês mostram este controle, e por vezes, principalmente se insistirem muito, aceitam uma mamadeira mesmo sem fome. Não faça o teste, só por acaso! Se alguém tivesse explicado à mãe o que aconteceria, não estaria nem um pouco preocupada. Mas esta mudança a apanhou de surpresa.

Mesmo que fosse surpreendida, se a mãe estivesse segura e confiante na sua capacidade de amamentar, não se teria preocupado. Porque a interpretação mais lógica e razoável para essas alterações seria: “Eu tenho tanto leite que a minha filha com três minutos tem o bastante”. Mas o medo do fracasso da amamentação é tão grande na nossa sociedade que, aconteça o que acontecer, a mãe sempre pensará (ou lhe dirão) que não tem leite.

Pois bem, foi dessa forma que eu conheci e pude ler sobre a crise dos 3 meses e olha, não existe só ela não! Abaixo coloco alguns links legais para ler sobre essas crises e de repente identificar melhor o que seu bebêzinho tem. Essa fase dos 3 meses eles ficam dessa maneira também porque começam a perceber que ele e a mãe não são a mesma pessoa, e aí começa a ansiedade dos nossos pequenos, medo de precisar de algo e não ser atendindo… medo da mamãe sumir… não dá uma dó?! Mas passa! A estimativa de tempo para essa crise é de aproximadamente 15 dias.

Ufa! A nossa “crise” já está com uma semana.
Força filho, falta apenas mais uma! Tudo vai ficar bem. ❤

Links e fontes:
http://www.bolsademulher.com/bebe/0-a-1-ano/materia/crescimento-dos-bebes-crise-dos-tres-meses
http://bebe.abril.com.br/materia/as-quatro-crises-do-crescimento-dos-bebes
http://www.deleitedopeito.com.br/index.php?option=com_content&view=article&id=62:a-crise-dos-3-meses&catid=902:artigos&Itemid=8
http://www.maternitycoach.com.br/amamentacao-temida-crise-dos-3-meses/

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