Desafio superado: amamentar até o sexto mês

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Faz tempo que estou para escrever sobre isso aqui no blog. Então vamos lá: Consegui! Consegui levar a amamentação praticamente exclusiva até o sexto mês, digo praticamente pois comecei a introdução de frutas com 5m15d (por opção minha e contra meu pediatra, mas queria estar presente na ingestão dos primeiros sabores e como voltaria a trabalhar antes dos 6m decidi por começar antes).

O meu relato é assim: parece simples mas não é! Amamentar traz muitas inseguranças para nós mamães, tive uma adaptação tranqüilíssima (contei aqui) porém dúvidas foram surgindo no meio do caminho e várias vezes pensei em complementar o bebê mesmo ele ganhando peso suficiente! Para vocês verem até onde vai a neura de uma mãe de primeira viagem.

No início eu tinha leite pra meio batalhão, jorrava, depois do banho o marido precisava vir colocar o absorvente de seio enquanto eu colocava o sutiã porque senão eu me sujava toda de leite… Cheguei a ter febre e quase mastite! Um dia o peito encheu tanto que nem o bebê conseguia pegar o bico, uma loucura! Já li que é normal, pois no começo as glândulas começam a produzir freneticamente sem parar!
De repente… Perto de 3 meses o meu leite adequou-se a demanda e aí começaram as neuras de que eu não tinha leite suficiente… Escrevi um pouco sobre isso aqui, quando relatei a crise dos 3 meses.

Amamentar é cansativo, exige uma energia fora do comum (700 calorias por dia, o mesmo que 1 hora de corrida) e bastante disposição mas é uma DELÍCIA. A troca de carinho e proximidade que se cria com o filho é algo surreal. Cheguei a chorar algumas vezes pensando que teria que parar por conta das minhas neuras, parece besteira mas a gente se sente incapaz… incapaz de alimentar o próprio filho e isso machuca! Homens nunca entenderão, nos meus surtos meu marido não entendia, pra ele era dar o complemento e pronto, sem nenhum remorso, nenhuma culpa, nenhuma dor… Não culpo ele, é muito difícil descrever o prazer de amamentar para outra pessoa, imagina para o sexo masculino!

Mãe é um bicho de sentimentos contraditórios mesmo… Na primeira vez que apresentamos a mamadeira e o complemento (agora pra valer pois voltaria a trabalhar) o Pedro pegou de primeira!!! Mamou tudo sem largar… Quem deu foi a vovó, a mãe ficou escondida pra não atrapalhar… E deu tudo certo! Ao ver que ele nem estranhou… fiquei chateada, chateada por ele aceitar a troca tão fácil (e antes tava com medo dele não aceitar de jeito nenhum), dá pra entender a cabeça de uma mãe? Nem eu me entendo! rs…

E aqui estamos, já com a introdução alimentar, rumo ao oitavo mês de amamentação (firmes e fortes) e agora com dentinhos! Hahaha, seja o que Deus quiser! 🙂

Fonte: http://www.vilamulher.com.br/familia/gravidez/amamentar-gasta-ate-700-calorias-8-1-53-269.html

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Surtei! O dia em que dei complemento

Quarta feira, dia 06 de maio de 2015. O dia em que surtei, achei que não tinha leite, achei que meu filho morria de fome, achei, achei, achei…

Vamos desde o início: o Pedro vinha, há uma semana, mamando de maneira muito agitada, dava a mama e ele mamava 4 minutos, e ficava impaciente… assim eu colocava pra arrotar, ele arrotava e queria mais, colocava na mesma mama e ele ficava sugando e saindo, todo irritado… Aí eu dava a outra mama e a história acima se repetia.

Vim levando assim, até que um dia a noite senti que minhas mamas não estava tão cheias, ele repetia o episódio mas ficou bem mais irritado, foi aí que tentei tirar com a bomba de extração e adivinhem: não saiu nada! Entrei em pânico, surtei, e a meia noite fiz meu marido ir comprar o complemento. Fiquei em prantos. Como assim eu não era capaz de produzir leite suficiente pro meu filho? Logo eu que no começo tinha tanto leite, mais tanto leite, que o Pedro pra não engasgar precisava mamar praticamente sentado e mesmo assim era engasgo atrás de engasgo…

Meu marido chegou, preparei 90ml de complemento, coloquei na mamadeira, fui dar pro Pedro e… bem, ele não conseguia pegar o bico, quando o leite ia pra boca ele jogava pra fora e ria, isso mesmo, ele RIA! Ria da cara de boba da mãe dele, do meu pânico, de toda aquela situação… Se não fosse o meu pânico teria filmado… Ele mamou no máximo 15ml mas desse jeito, jogando pra fora. Entrei em parafuso: ele tinha ou não tinha fome?

No dia seguinte, pesquisando (ah, a era da informação!) achei um artigo que falava sobre a crise dos 3 meses. E eu faço questão de colocar praticamente na íntegra porque, apesar da bebê citada ser uma menina, descreveu completamente o que eu passei.

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Traduzido este trecho de um livro maravilhoso, My Child Won’t Eat, do pediatra Carlos González, para o Grupo Virtual de Amamentação e gostaria de compartilhar com vocês. Se toda mãe soubesse disso, muito complemento seria evitado. 

Por volta dos dois ou três meses, dizíamos, os bebês já adquiriram tanta prática que podem mamar em apenas cinco ou sete minutos, alguns até em três. Caso ninguém tenha avisado à mãe que isso iria acontecer, se a tiverem enganado com os dez minutos, ela vai pensar que o seu filho não comeu o suficiente, tal como pensou:

“Tenho uma menina de quatro meses. O meu problema é que não sei se come o suficiente, visto que está apenas três a quatro minutos em cada peito, e tenho medo que seja porque não recebe leite suficiente. Quando tinha dois meses mamava uns dez minutos de um peito mais cinco do outro, e aumentava  de peso rapidamente; enquanto que agora desceu um pouco nas sua curva de crescimento. Agora noto que os meus peitos não estão tão cheios como antes, que até pingavam. O que me deixa preocupada é que nos primeiros minutos ela mama com força e rápido, e depois começa a pegar e largar o peito, não estando sossegada. Tenho de ir alternando as mamas e experimentar posições diferentes para que esteja uns dez minutos entre ambos. Pergunto se o faz porque quer mais ou não. Outra situação é que me parece e agora aguenta menos tempo de uma mamada para outra, especialmente à noite, que dormia cinco a seis horas seguidas e agora três ou quatro no máximo.O pediatra dela disse-me que eu posso começar dar-lhe leite artificial, mas eu tentei e não aceita, mesmo que seja outra pessoa a dar.”

Esta mãe explica perfeitamente todos os aspectos da “crise dos três meses”:
1. O bebê que antes mamava em dez minutos ou mais, agora acaba em cinco ou menos;
2. O peito, que antes estava cheio agora parece mais vazio;
3. O leite que pingava, já não pinga;
4. O aumento de peso está cada vez mais lento.

Tudo isso é perfeitamente normal. O inchaço do peito nas primeiras semanas tem pouco a ver com a quantidade de leite, é mais uma inflamação passageira quando as mamas começam a trabalhar. O inchaço e o “vazar” são “problemas de adaptação” e desaparecem quando a amamentação está comodamente estabelecida. E o aumento de peso é cada vez mais lento, é claro. Os bebês engordam cada mês um pouco menos que no mês anterior. Por isso é que as curvas de peso são curvas, senão seriam retas. Entre um mês e dois meses, as meninas que são amamentadas tendem a ganhar pouco mais de 400 gramas a 1.300 kg com uma média de pouco mais de 860 g passamos por alto o primeiro mês, porque ao haver uma perda e logo uma recuperação de peso, os números são muito variáveis.Se continuassem a aumentar ao mesmo ritmo, em um ano teriam entre 5 kg e mais de 15 kg, com uma média de 10 kg e pouco. De fato, no primeiro ano, as meninas ganham entre 4,5 kg e 6,5 kg, com uma média de 5,5kg. Ou seja, mesmo uma menina que ganhou no primeiro mês 500 g (o que para muitos pode parecer pouco, quando na realidade é normal) chegará a um momento que ainda vai ganhar menos. Os meninos tendem a ser um pouco maiores que as meninas.

Claro que o bebê não queria mamadeiras: não tinha fome. Infelizmente nem todos os bebês mostram este controle, e por vezes, principalmente se insistirem muito, aceitam uma mamadeira mesmo sem fome. Não faça o teste, só por acaso! Se alguém tivesse explicado à mãe o que aconteceria, não estaria nem um pouco preocupada. Mas esta mudança a apanhou de surpresa.

Mesmo que fosse surpreendida, se a mãe estivesse segura e confiante na sua capacidade de amamentar, não se teria preocupado. Porque a interpretação mais lógica e razoável para essas alterações seria: “Eu tenho tanto leite que a minha filha com três minutos tem o bastante”. Mas o medo do fracasso da amamentação é tão grande na nossa sociedade que, aconteça o que acontecer, a mãe sempre pensará (ou lhe dirão) que não tem leite.

Pois bem, foi dessa forma que eu conheci e pude ler sobre a crise dos 3 meses e olha, não existe só ela não! Abaixo coloco alguns links legais para ler sobre essas crises e de repente identificar melhor o que seu bebêzinho tem. Essa fase dos 3 meses eles ficam dessa maneira também porque começam a perceber que ele e a mãe não são a mesma pessoa, e aí começa a ansiedade dos nossos pequenos, medo de precisar de algo e não ser atendindo… medo da mamãe sumir… não dá uma dó?! Mas passa! A estimativa de tempo para essa crise é de aproximadamente 15 dias.

Ufa! A nossa “crise” já está com uma semana.
Força filho, falta apenas mais uma! Tudo vai ficar bem. ❤

Links e fontes:
http://www.bolsademulher.com/bebe/0-a-1-ano/materia/crescimento-dos-bebes-crise-dos-tres-meses
http://bebe.abril.com.br/materia/as-quatro-crises-do-crescimento-dos-bebes
http://www.deleitedopeito.com.br/index.php?option=com_content&view=article&id=62:a-crise-dos-3-meses&catid=902:artigos&Itemid=8
http://www.maternitycoach.com.br/amamentacao-temida-crise-dos-3-meses/

O “bicho” de sete cabeças: a amamentação

AmamentaçãoSempre tive pra mim que não ia gostar de amamentar, tinha um medo danado das dezenas de histórias que escutamos por aí: fulana ficou com o “bico” pendurado, o meu jorrava sangue e o bebê bebia, meu filho mordeu o “bico” e inflamou, além de uma amiga que dava mama gritando e se contorcendo de dor. Como acreditar que isso podia ser prazeroso como também muitas outras mamães relatavam? Pois bem! Tinha mais medo disso do que o próprio parto!

Na minha cabeça, preciso revelar aqui, eu até tinha uma tímida torcida para que algo não desse certo e eu tivesse que dar o complemento. É minhas queridas, a vida SEMPRE ensina!

Preparei o seio durante a gravidez com bucha vegetal, passava todo banho, no começo era terrível mas foi melhorando com o tempo. Eu não passava muito, tinha uma agonia tremenda, mas segui firme. Já li em alguns lugares que isso não adianta nada, mas a indicação foi da minha própria GO de mais de 30 anos de experiência.

Pedro nasceu de parto cesáreo, então pude oferecer o seio para ele somente algumas horas depois. E aí batia uma insegurança: Ele vai pegar? Vai doer? Vou gritar?
Para minha sorte o meu leite (o inicial que chamamos de colostro) já havia descido um dia antes da chegada do meu pequeno. Quando a enfermeira me ajudou a colocá-lo no seio ele pegou de primeira! E foi aí, minhas amigas, que foi criado um laço difícil de ser desfeito. Era um momento especial, único… E eu não senti dor alguma! Talvez por conta de todo o sentimento envolvido, uma anestesia natural que vem do nosso coração.

Na maternidade segui oferecendo o seio e ele sempre pegava. A enfermeira havia me ensinado a pega correta (e eu como tinha medo já até tinha lido muito sobre isso) e esse cuidado é muito importante! Com a pega correta o bebê mama melhor e você não sente tanta dor pois não irá machucar. O bebê não pode, de jeito nenhum, pegar só o bico, ele precisa pegar o máximo que conseguir de toda auréola. Caso ele tenha pego só o bico, você tira colocando o dedo mindinho na boquinha dele pra tirar o vácuo (que também causa lesões) e inicia novamente, para ele abrir bem a boquinha tente a técnica abaixo de tocar a boca com a parte debaixo do mamilo. Eu tomava muito cuidado com essa parte, não achem que é balela, isso vai ajudar e muito!

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Preciso dizer também que senti dor sim! Tudo ficava dolorido, o primeiro mês inteiro até a toalha para secar após o banho incomodava. Mas eu não tive nenhum ferimento! Usava também uma pomada milagrosa de lanolina, a Lansinoh. Super indico! Passava a cada mamada, não precisa retirar e acredito que ela tenha auxiliado muito em não deixar o bico ferir. Usei a cada término de mamada até o Pedro ter 1 mês e meio mais ou menos, hoje passo por precaução para dormir. Ah! Essa sensibilidade no bico também passa mais ou menos com 1 mês, pelo menos foi assim no meu caso.

Pedro desde o início sempre mamou com intervalo de 2h a 3h, tinha na minha cabeça de oferecer sempre (livre demanda) mas ele já veio reguladinho de fábrica. 🙂

Ainda vou escrever muito sobre esse assunto por aqui, pois existem muitas dúvidas que vamos adquirindo no meio do caminho.
Bom, preciso dizer agora a minha conclusão sobre a amamentação e o meu conselho: Não desistam, mamães! Se seu caso é de ter machucado tente passar a pomada que indiquei e até deixe o peito descansar mais de 1 mamada, se for outro problema procure ajuda especializada (existem consultorias e até pediatras especializados em amamentação), com certeza saberão como te orientar. Amamentar é um ato de amor e uma entrega linda para o ser mais importante da sua vida!

E como li há um tempo atrás: “porque dar de mamar é a síntese perfeita de mamãe com amar”. Coração